Braga vê milhões a escapar com jogadores emprestados no final da época

Os planos dos bracarenses para o final desta época parecem que vão sair furados. Há contas que parecem feitas até deixarem de estar e para o Sp. Braga essa parece ser a realidade para o final da temporada. O clube tinha a expectativa de vir a amealhar cerca de 13,5 milhões de euros em dois empréstimos que prometiam render muito dinheiro.
No início da temporada tudo parecia bem encaminhado, com Djibril Soumaré e Ismaël Gharbi que eram dois dos jogadores emprestados com maior potencial de retorno financeiro. Ambos tinham cláusulas associadas aos seus empréstimos, dependentes de objetivos que, na altura, pareciam perfeitamente atingíveis.
Mas o futebol é recheado de imprevisibilidade e o que hoje é verdade, amanhã já não é. No caso de Soumaré, o cenário estava ligado ao desempenho coletivo do seu clube. O médio senegalês foi emprestado ao Sheffield United com uma cláusula de compra em caso de subida à Premier League. Só que esse objetivo não deverá ser cumprido – o clube está atualmente em 17.º classificado.
também com Ismaël Gharbi, o cenário parece ser idêntico. Emprestado ao Augsburg, também tinha uma cláusula de compra associada a objetivos individuais e coletivos. Mas o extremo não conseguiu afirmar-se na Bundesliga e acabou por somar cerca de 100 minutos ao longo de toda a época.
Resultado? Mais uma cláusula que não será ativada e, neste caso, falamos de cerca de 5 milhões de euros que também não vão entrar nos cofres minhotos. Somando os dois negócios, o Braga vê desaparecer um encaixe potencial de 13,5 milhões de euros.
Isto são valores muito importantes, num clube que tem vindo a crescer de forma sustentada e que aposta muito na valorização dos seus jogadores. Este tipo de situações faz toda a diferença para o planeamento da próxima temporada.
Os empréstimos não foram feitos apenas para dar minutos aos jogadores. Foram também pensados como potenciais vendas futuras, com objetivos bem definidos que podiam transformar-se em receitas importantes.
Mas há sempre variáveis que ninguém consegue controlar: o rendimento dos jogadores, o contexto das equipas onde estão inseridos e até fatores coletivos, como a classificação final, influenciam diretamente este tipo de negócios.
No caso de Soumaré, por exemplo, o jogador tem jogado regularmente, participando em vários jogos, e muitos deles como titular. Mas aqui o fator decisivo não dependia só dele, e sim do desempenho global da equipa inglesa, e isso acaba por comprometer tudo.
Já Gharbi teve um cenário diferente. O tunisino não teve espaço nas opções técnicas, e num campeonato exigente como é a Bundesliga, não conseguiu afirmar-se e isso acaba por impedir o cumprimento dos objetivos definidos e a mais do que previsível saída no final da temporada.
Este tipo de situações também faz parte do crescimento do dia a dia de um clube, e nem todos os negócios resultam, nem todas as apostas dão o resultado esperado. O importante é perceber o que errou e planear já o próximo passo a seguir, e nisso o Braga tem mostrado capacidade para isso.
Ao longo dos últimos anos, o clube tem conseguido equilibrar o investimento e vender bem, valorizando jogadores e criando oportunidades de mercado. Este caso é apenas mais um obstáculo que certamente será ultrapassado.
Para já, o Braga faz contas e irá ter que ajustar planos feitos no início da época. Os milhões não entram, mas os jogadores regressam e até podem entrar no plantel para próxima temporada. Mas com isso, surgem novas decisões, novas oportunidades e, possivelmente, novos caminhos. Estes são riscos que todos os clubes correm com os jogadores emprestados; uns resultam, outros não, mas as oportunidades vão sempre surgindo, época após época.


