Reunião quente entre Sporting, Porto e Governo deixa mais tensão no ar

O que era suposto ser um momento de diálogo, acabou por aquecer ainda mais o ambiente do desporto nacional. A reunião entre os presidentes de Sporting e FC Porto com a ministra do Desporto, Margarida Balseiro Lopes, terminou com mais tensão do que soluções, num clima que está longe de ser o melhor.
Desde o início que se esperava que o ambiente não fosse o melhor e os presidentes de Porto e Sporting confirmaram isso mesmo à saída da reunião. Frederico Varandas e André Villas-Boas chegaram com posições bem definidas e com vários temas em carteira. Questões relacionadas com arbitragem, ambiente no futebol português e episódios recentes, estavam em cima da mesa.
Do lado do FC Porto, a reação foi rápida, com Villas-Boas a dizer que não só contestou algumas das posições como deixou claro que o clube está preparado para avançar com medidas legais em relação a determinados temas levantados.
E estas posições tão distantes elevaram ainda mais o tom da reunião e um encontro, que deveria servir para aproximar posições, acabou por extremar ainda mais as diferenças. Em vez de criarem uma ponte para o entendimento, ficou a sensação de que os clubes saíram ainda mais distantes.
Isto é o espelho atual do que vive atualmente o futebol português, com uma fase de grande tensão fora das quatro linhas, especialmente entre Sporting e Porto. Declarações públicas, acusações e respostas têm sido constantes, criando um ambiente de crispação e pouco propício a um diálogo tranquilo.
Ninguém recuou no tom, nem houve sinais claros de aproximação, muito pelo contrário, cada lado reforçou ainda mais o seu ponto de vista, acabando com mais acusações dos dois lados.
Varandas manteve o foco nos casos que apresentou, insistindo na necessidade de maior transparência e de respostas concretas. Villas-Boas, por sua vez, mostrou-se incomodado com algumas acusações e deixou claro que o FC Porto não vai deixar passar certas situações, e, especialmente quando este último caso do andebol foi arquivado, irá agir judicialmente.
Este tipo de clima levanta inevitavelmente questões sobre o impacto no futebol português. Quando os principais clubes estão em constante confronto institucional público, o ambiente geral tende a deteriorar-se.
E isso ninguém consegue ficar indiferente, com jogadores, treinadores e até adeptos a sentirem essa tensão e a deixarem-se afetar. Certamente esta não é a imagem que queremos passar do desporto em Portugal e mesmo que o foco devesse estar no jogo, é difícil ignorar todo o ruído causado por estas divergências.
Pelo menos este tipo de reuniões mostra que há preocupação em resolver as divergências e ainda que o resultado não tenha sido o ideal, o facto de existir diálogo institucional indica que há vontade – pelo menos na teoria – de discutir os problemas do futebol português.
Mas falar não chega e é preciso encontrar pontos de equilíbrio, algo que claramente não aconteceu neste encontro. As posições continuam demasiado afastadas e o discurso continua mais próximo do confronto do que da solução.
Para já, o ambiente continua insustentável e o que fica é promessa de novos capítulos nesta relação tensa entre dois dos maiores clubes nacionais, e o que tudo indica que não vai ficar por aqui.
O futebol português está habituado a rivalidades fortes, há uma diferença entre rivalidade e conflito constante. E atualmente é o que parece existir entre Leões e Dragões. A reunião podia ter sido um ponto de viragem, mas acabou por ser mais um episódio de tensão entre ambos os presidentes.


